O Terror Inevitável da Desigualdade

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Os pais podem tentar assegurar que todos os seus filhos sejam tratados igualmente. Mas a desigualdade é inevitável. Eis como lidar com ela.

A desigualdade nas famílias é como uma mudança em câmera lenta para a família empresarial. As crianças entram no mundo do todas foram “criadas iguais”, e a maioria dos pais se esforçam para oferecer oportunidades iguais. Os irmãos começam sob o mesmo teto e compartilham muitas experiências. Mas conforme suas vidas se desenrolam, eles tomam milhares de decisões que levam ao sucesso individual, ou não. Fortes influências culturais, tais como preconceitos de gênero, amplificam as desigualdades independentemente das capacidades e escolhas individuais. A sorte também desempenha um papel importante tanto na abertura de oportunidades e sucesso, quanto no fechamento delas. Por volta dos cinquenta anos, os irmãos muitas vezes reconhecerão que a soma de todas as escolhas e experiências cria diferenças significativas nas capacidades, realizações, crenças, riqueza e felicidade dos irmãos. Alguns irmãos se tornarão inevitavelmente mais bem-sucedidos e influentes na família do que outros.

Esta disparidade se manifesta não só nos irmãos, mas também nos ramos familiares. Alguns ramos ficam atrás dos outros em riqueza, poder e realizações. Aqueles que se sentem inferiores são frequentemente os primeiros a vender para seus primos ou para pessoas de fora. Uma família de negócios de terceira geração com a qual trabalhamos tinha dois ramos primários. Um ramo tinha o controle eleitoral sobre a empresa, acumulava 90% da riqueza da família e ocupava todas as funções executivas da família no negócio. O outro foi rotulado como “ramo ruim”. Os dois ramos nunca serão iguais em poder, riqueza ou posição.

Os sociólogos explicam que os humanos tendem a se concentrar menos nas diferenças absolutas entre os grupos e mais nas diferenças relativas dentro de um grupo. Na maioria das famílias empresariais, o pensamento “todos criados iguais” cria uma contrapressão contra a disparidade. Você ouvirá dos membros da família comentários como “Você não pode esperar que nosso filho trabalhe para seu irmão!”, ou “Será que meus filhos não merecem uma chance de trabalhar em nossa empresa?”, ou “Não é justo que ela tenha conseguido ações da empresa e eu não!”.

Os ramos familiares têm frequentemente feito escolhas diferentes ao longo de várias vidas. Tais resultados são difíceis de reverter, de igualar. E seria justo equalizar?

Muitas vezes, o justo não é igual. E eventualmente, igual não é mais justo.

Embora algumas famílias empresariais multigeracionais tentem igualar a riqueza, tais políticas podem ser prejudiciais a longo prazo. Para mais orientações sobre como conduzir a percepção da desigualdade em sua família, veja esta série de Perguntas & Respostas com Judy Lin Walsh.

Ellen Weber Libby, autora de The Favorite Child, aconselha que as famílias aprendam a se sentir confortáveis com alguma desigualdade que se desenvolve ao longo das gerações, pois é inevitável. Então, como fazer para isso acontecer?

 

Aqui estão cinco maneiras de conduzir bem este assunto:

1. Foco no propósito.

Como uma família, trabalhar para definir e refinar seu propósito ajudará todos vocês a manter os olhos em seus objetivos coletivos e no que estão dispostos a sacrificar individualmente para o bem maior. Quando as famílias passam um tempo considerável falando sobre desigualdade, isso é um sinal de que lhes falta um propósito claro e convincente como uma família empresarial. Renovem sua conversa sobre o porquê de serem donos juntos deste negócio. Tais discussões podem trazer a todos vocês a um maior entendimento comum.

2. Defina a cultura de sua família.

As famílias podem escolher e construir sua cultura ao longo do tempo. Algumas famílias se concentram na meritocracia – você se beneficia mais do negócio ao trabalhar nele, por exemplo. Outras têm uma cultura mais “socialista”, na qual cuidar da família empresarial ampliada é um importante objetivo compartilhado. Qualquer uma das versões (e muitas entre elas) está bem, desde que você tenha construído confiança e comunicação entre os membros da família para que todos compreendam a cultura. Sentimentos de desigualdade são frequentemente um sintoma de uma cultura familiar ambígua.

3. Tenha um fórum ou outro processo para a resolução de disputas no Conselho de Família.

Ao ter um fórum familiar apropriado para lidar com disputas, você pode ajudar a evitar que os conflitos aumentem. Em muitos casos, você só precisa de um fórum que incentive a civilidade, ou seja, a capacidade de estar na mesma sala e tomar decisões em conjunto sem que o conflito atrapalhe os negócios ou toda a família. A capacidade de sentar-se na mesma sala e tomar decisões objetivas juntos, apesar das inevitáveis discordâncias, ajuda os membros da família a evitar as armadilhas dos argumentos emocionalmente carregados que se reproduzem e se espalham quando as partes envolvidas não se comunicam.

4. Se você é um dos que “têm”, certifique-se de ser sensível aos que “não têm”.

Alguma desigualdade é inevitável, mas isso não significa que os membros da família que acabam em posições de poder devam dominar aqueles que não são tão afortunados. Certifique-se de que sua cultura familiar preze a família – e não apenas as finanças. Aqueles que estão em uma posição financeira mais confortável devem ser sensíveis àqueles que não estão. Ao planejar atividades familiares estendidas, tais como uma reunião familiar ou reunião de férias, faça escolhas que todos possam pagar. Não planeje ficar em hotéis quatro estrelas se apenas alguns membros da família podem arcar com isso.

5. Encontre um ponto em comum através da gratidão.

Mesmo que você seja um membro dos que “não têm” em sua família, ainda assim é provável que você esteja melhor do que uma pessoa comum no mundo, diz Libby. Mantenha seu senso de desigualdade em perspectiva. Muitas pesquisas confirmam que aqueles que expressam gratidão pelo que têm e pelo que os outros fazem por eles estão muito melhor emocionalmente. Tire tempo para expressar gratidão em sua família.

*Adaptado do livro Harvard Business Review Family Business Handbook de Josh Baron e Rob Lachenauer. Páginas 154-156.

Resumo: Os pais tendem a criar uma atmosfera de “todos foram criados iguais”, e proporcionar igualdade de oportunidades a seus filhos. Mas à medida que suas vidas se desdobram, muitos elementos (decisões individuais, preconceitos de gênero, sorte, etc.) terão ou não impacto em seu sucesso. Dito isto, a desigualdade é algo que todas as famílias empresariais têm que enfrentar para serem bem-sucedidas. Josh Baron e Rob Lachenauer, cofundadores e sócios da BanyanGlobal, expressaram suas ideias sobre o tema e sobre como percorrer este caminho, concentrando-se no propósito, definindo a cultura familiar, tendo um processo para a resolução de disputas no Conselho de Família, assegurando que os membros da família sejam sensíveis aos outros e encontrando um ponto em comum através da gratidão.

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